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A BOLA QUADRADA DE 2010 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jurandir Araguaia   
Ter, 01 de Junho de 2010 15:23

 Existe uma história de amor e ódio entre jogadores e a bola.
 - O verdadeiro craque dorme com a bola. – Diria João Saldanha. Dentro da intimidade crescente, não faltaram ao objeto de desejo apelidos que entraram para o vocabulário do futebol:
 - Gorduchinha, Redonda, Pelota, Esfera de Couro, Menina, Branquela e tantos outros.
 Dizem que a primeira bola que correu por aqui veio da Inglaterra, desembarcando de um navio inglês:
 - Oh, my God! – E foi logo sendo chutada pelas várzeas adentro ganhando de imediato a adoração Tupiniquim. Com a chegada do futebol a essas terras, nascia uma geração de deuses. Se os ingleses soubessem que semeavam o país do futebol, talvez não tivessem cometido tal sacrilégio. Inventaram o futebol e ganharam uma Copa enquanto os bárbaros dos trópicos acumulam cinco.

 Lembro das bolas pesadas, de couro espesso, chutadas pelos pés mágicos das primeiras copas arrebentando fronteiras e unindo nações movidas pelo mesmo interesse futebolístico. O futebol é veículo de paz e integração mundial.
 Minha mãe diz que comecei a andar de verdade ao correr atrás de uma bola. O encanto pertence a todos os meninos. A bola é um brinquedo universal. Não precisa de pilha e nem de ser ligada a uma tomada. Funciona em qualquer ambiente. A bola pula e bate e volta contra paredes nobres ou rústicas ignorando a textura ou qualidade do reboco. O surgimento da roda moveu o mundo. A bola trouxe-lhe o encanto.
 Pelé foi um dos responsáveis por revesti-la de magia, juntamente com Didi, Garrincha, Zico, Jair, Ronaldinho, Romário, Robinho e a lista parece não ter fim. Os brasileiros mostraram ao mundo que o futebol pode ser alegre e ao mesmo tempo competitivo e vencedor. Os próprios astros assumem a sua forma o que comprova a sabedoria do Criador que encheu o universo de esferas atestando a perfeição da estrutura. A bola é universal.
 Vimos, na história das Copas, o Brasil apresentar seleções que eram favoritas e perderam enquanto outras menos brilhantes venceram. Caprichos do esporte! Temos agora um novo desafio nas paragens do Sul da África. A bola vai rolar. Milhões de olhos vidrados esperam o momento do apito inicial para colar seus olhos nas telas e durante cerca de 30 dias o mundo respirará futebol. Espero que tenhamos um período de relativa paz.
 Diante da festa, eis que surge um dilema: nossos craques rejeitam a bola da vez.
 - Parece estar viva! – Declarou Luís Fabiano.
 - A bola é ruim, falou Robinho, mas a gente vai ter que jogar com ela.
 Apresentaram uma bola quadrada que tentará roubar o show. Se no futebol são 11 contra 11, a bola é uma só e se será difícil para nossos craques, tanto mais para os adversários. Seja com bola redonda, ou quadrada, o espetáculo vai começar...
 

 Jurandir Araguaia é um escritor goiano, nascido em Brasília aos 8/11/65, casado e pai de duas filhas. Formado em Educação Física e Administração de Empresas – atualmente é Auditor Fiscal por Goiás, com exercício de suas funções no Posto Fiscal "Cana Brava", neste município. Escreve textos bem-humorados, críticos e irônicos, transpondo a linha tênue entre realidade e sonho, criando ambiente que transportam o leitor a universos mágicos, entregando-se com prazer à leitura.

Os livros de Jurandir Araguaia encontram disponíveis através dos links:

O_Homem_que_Nao_Bebia_Cerveja
Sou_do_Bem
Selecao_de_Preces
 
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